Tag: livro - Melhor Ângulo

Já faz um tempo que estou para resenhar alguns livros que comprei durante o ano passado, mas vocês me conhecem e já devem imaginar o quanto eu demorei para terminar de lê-los, né? Aliás, ainda faltam dois para completar, hehe. Mas vamos ao que interessa, shall we?

O primeiro livro dessa leva literária é o que deu origem a um dos meus filmes favoritos: O Diabo Veste Prada. Trata-se da história de Andrea Sachs, recente formanda que sonha em trabalhar no The New Yorker, mas que para chegar lá, aceita o desafio de ser assistente de Miranda Priestly, influente editora-chefe da revista de moda Runway. Na teoria, “milhares de garotas se matariam por esse emprego”; Andrea nem tanto. Sem toda a desenvoltura das altas e magras editoras que mais parecem modelos da própria revista, Andy já não começa bem; mas tudo fica dez vezes pior quando Miranda está envolvida. Sem dó, ela delega às suas assistentes (e a quem for necessário) tarefas absurdas, extracurriculares e várias vezes sem contexto algum; e isso não é nem a ponta do iceberg. Acreditem, o título do livro faz jus ao conteúdo.

Como assisti a adaptação para o cinema primeiro, é impossível não folhear as páginas pensando em Anne Hathaway e Meryl Streep fazendo maravilhosamente os papéis de Andrea e Miranda Priestly, respectivamente. Mas calma, não sou mais um dos que adoram soltar que “o livro é muito melhor do que o filme”. Gosto de separar bem as coisas e entendo quando alguns acontecimentos ou até personagens precisam ser diminuídos, como é o caso dos amigos de Andy, que perderam significativa relevância nas telonas. As protagonistas também mostram personalidades bem mais fortes na publicação: Miranda consegue ser cinco vezes mais odiável e Andrea, três vezes mais resistente e sarcástica, motivo para boas risadas inesperadas. Em resumo, apesar das diferenças, as duas versões conseguem ser ótimas, cada uma com a sua proposta, com seu público-alvo e com seu sucesso comprovado. ;)

Depois de alguns dias de espera pela entrega da Submarino (comprei usando um cupom de desconto), meu “julgamento pela capa” foi até muito bom. Preciso dizer que a da pós-adaptação me agrada mais que a original, mas eu ainda preferiria se ela não viesse com essas stills na parte inferior, não achei legal. Falando de diagramação, o espaçamento entre linhas estava ok, mas poderia ser um pouco maior para facilitar e deixar a leitura mais confortável. O papel é branco e a gramatura leve, o que também não contribuiu para eu amar a parte visual em geral.

De qualquer forma, Andy me conquistou, e mesmo terrível de se lidar, Miranda também ganhou um pedacinho do meu coração. Confesso que fiquei curioso para saber a opinião de vocês sobre o livro, principalmente sobre o final. Mas sem spoilers. ;)

Ficha técnica:

Título: O Diabo Veste Prada
Título original: The Devil Wears Prada
Autora: Lauren Weisberger
Tradução: Ana Luiza Dantas Borges
Ano: 2003
Editora: Record
Edição: 21ª
Páginas: 407

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Quando completei 15 anos, em 2009, eu tive a sorte de ser presenteado com a coleção de livros Desventuras em Série, do Lemony Snicket. Curioso que dois dias após o meu aniversário eu precisei ficar de cama por uma semana depois de uma operação às pressas. Para não ser dominado pelo tédio resolvi ler todos os livros da série e no fim dessa mesma semana descobri que eu havia encontrado uma das histórias mais divertidas e interessantes das que hoje fazem parte da minha coleção.

A coletânea infantil – sim, é para crianças mas foi muito bem recebida pelos jovens e adultos – conta a história dos três jovens Baudelaire, Violet, Klaus e Sunny, que entram em uma aventura pra descobrir o mistério por trás da morte de seus pais enquanto fogem de Olaf, um conde nada corpulento que corre atrás da herança das crianças, e em cada livro acabam indo para uma família e cidade diferentes.

Vale a leitura pela condução rápida que o Lemony dá à história e que nunca deixa a trama se perder. E ele ainda abre portas pra conversar com o leitor – minha qualidade preferida nos seus livros; de vez em quando até explica a diferença entre o sentido figurado e literal das coisas. Mas o mais interessante é o modo excêntrico como ele trata as suas histórias: pro Snicket Desventuras em Séries é uma história triste e muito desagradável, e ele mesmo faz questão de anunciar isso em quase todos os livros da coleção; isso fica claro logo na primeira frase do primeiro livro, “Se vocês se interessam por histórias com finais felizes, é melhor ler algum outro livro”.

E a história também chamou a atenção de Hollywood! Vocês devem saber disso, já que é tradição anual o filme ser exibido na Sessão da Tarde da Globo. Em 2005 a coletânea foi para as telas em uma adorável adaptação protagonizada por Jim Carrey, Emily Browning e Liam Aiken – e conta até com uma pontinha da Meryl Streep. O filme é divertidíssimo e nele Jim Carrey está mais engraçado que em qualquer uma de suas comédias – e esse é o maior problema do filme já que nunca sentimos que as crianças realmente estão em perigo. Mas fica tudo bem quando o diretor, mesmo descaradamente, faz um excelente trabalho na hora de passar a excentricidade do Snicket e de criar um mundo fantasioso incrível e nada discreto apesar de sombrio.

A história completa é contada em 13 livros – o filme conta só a dos três primeiros – , mas não se assustem pois são muito pequenos. O maior deles tem 285 páginas, mas a relação entre os irmãos e a trama principal são tão interessantes que você consegue ler um dos livros em um dia sem se sentir cansado.

Se você  leu algum dos livros ou já assistiu ao filme, diga pra gente o que achou! Pra saber mais sobre a história dos três jovens vocês podem entrar no site da coleção ou no site oficial do filme.

Obs.¹: O nome original da serie e do filme é A Series Of Unfortunate Events.
Obs.²: O filme concorreu a quatro Oscars:  melhor maquiagem (ganhou esse), melhor figurino, melhor direção de arte (meu atributo preferido do filme) e melhor trilha sonora.

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Não sei se perceberam, mas sou um grande fã do Joseph Gordon-Levitt – de (500) Dias Com ElaUm dos trabalhos dele que chama muito a minha atenção é o “The Tiny Book of Tiny Stories”, que em tradução literal se intitula “O Pequeno Livro das Pequenas Histórias”.

O livro é parte de um projeto do Joseph chamado HitRECord, um site em que ele cria videos, histórias, canções e derivados com a colaboração de qualquer pessoa disposta a ajudar. Partindo desse projeto, Tiny Book, que está em seu primeiro volume, é uma colaboração de mais de oito mil pessoas (uau) com pequenas histórias. Muitas dessas histórias são apenas uma ou duas frases cheias de sarcasmo e trocadilhos mas todas com um significado ideológico, como “Não é irônico quando é o tempo todo”.

Segundo palavras do próprio Joseph, essa ideia tem a intenção de criar um projeto conjunto que possa chamar a atenção das pessoas para a criatividade comunal de cada ser humano, algo que está presente na cultura da sociedade desde o período pré-histórico. E ele ainda afirma que nessa época o ser humano tinha liberdade criativa e a reutilização da ideia de alguém para criar algo novo não era crime, e é por isso, então, que o Tiny Book utiliza a ideia de várias pessoas para criar um único livro.

Infelizmente, ele ainda não se encontra disponível no Brasil e vai demorar para isso acontecer. Se for do seu interesse, você pode encontra-lo na amazon.com. Mas enquanto não temos a oportunidade de conferir o livro(inho) inteiro, eu trouxe para vocês algumas das minhas “pequenas histórias” preferidas do Tiny Bookna verdade foram as únicas que eu encontrei, mas eu gosto muito de todas elas. Espero que vocês gostem e compreendam as pequenas histórias como algo grandioso, pois, como o grupo do HitRECord insiste em dizer, “o mundo não é só feito de átomos, mas também de pequenas histórias”.

Aqui vão algumas e vale dar uma olhada nas ilustrações de cada uma. À primeira vista a maioria dos textos pode não fazer sentido, mas depois de uma segunda lida você consegue captar a mensagem (ou não):

“Um dia, antes do café-da-manhã, uma laranja rolou para fora do balcão e fugiu de seu destino quicando feliz pela porta da cozinha. Cheio de esperança, o ovo a seguiu.”

“Eu coleto estrelas tremulantes em vidros de pepinos, abrindo furos em suas tampas para que elas possam respirar.”

“OH… Esse é um daqueles lugares em que eu deveria me vestir bem?”

” ‘Olha só quem eu encontrei…’ gabou-se Coincidência. ‘Por favor…’ Destino flertou, ‘era pra ter acontecido’.”

“A esposa do Doutor comeu duas maçãs por dia, só por precaução. Mas seu marido continuou a voltar para casa.”  (Ok, essa eu não entendi.)

“Quando eu era mais jovem, eu queria ser algo. Agora eu só quero ser mais jovem.”

E mais:

“Estou pronto para mais uma aventura agora, me leve para bem longe, por favor!” “Ok, mais uma…mas então você lerá para mim depois.”

“Você se foi. Não deixou endereço. Mas eu te mando cartas mesmo assim.”

“Quando você for um fantasma, sinta-se livre para me assombrar.”

“Suas mãos estavam fracas e tremendo de carregar tantos livros da livraria. Era a melhor sensação do mundo.”

“Um homem me tocou: suas mãos…minha coxa. Eu toquei ele também: meu punho… seu queixo.”

“O elemento da surpresa não era permitido perto da tabela periódica.”

“Eu te amo tanto que eu não consigo suportar. Então eu sento.”

“Se eu ler a nossa história de trás para frente, será sobre como eu “desquebrei” seu coração, e então nós fomos felizes até que um dia você esqueceu de mim completamente.”

“Era uma vez um…Fim.”

Gostaram? Se vocês também tem alguma “pequena história” como as do HitRECord, mostrem pra gente! E fiquem ligados no tumblr do Joseph Gordon-Levitt, ele sempre posta algumas histórias do livro – além de outras coisas interessantes.

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Sabe aquela vontade que todo jovem tem de juntar suas poucas coisas na mochila e cair na estrada para seguir seu próprio caminho? Bem, isso não provém da juventude atual; na verdade, começou nos tempos dos seus avós. Estranho? Nem tanto.

geração beat, ou os beatniks, vieram dos distantes anos 50, misturando o jazz (que era a febre nos Estados Unidos) com a imensa vontade de tirar de moda a sociedade careta do momento. Rapidamente foram intitulados como a “geração perdida”. Sem esse movimento, possivelmente não haveria rock, hippies, e nem mesmo o Greenpeace! Eles foram os primeiros a parar e conseguir pensar diferente das pessoas da época, dando importância a liberdade e não ao consumismo. Um dos maiores expoentes dessa geração foram os escritores americanos Jack Keroac, Allen Ginsberg, Willian Burroughs e o famoso músico Bob Dylan. Além deles, muitos outros foram influenciados pelo estilo de vida anti-materialista dos beats, como os grupos Pink Floyd, Beatles, Stones e muitos outros.

Bem, de lá pra cá muita coisa mudou, mas o sonho de cair na estrada ainda permanece. E um dos primeiros homens a relatar essa experiência foi o célebre autor Jack Kerouac, que escreveu um livro inteiro em três semanas sem parar, movido a muito café. O livro, intitulado On the Road (Pé na Estrada no Brasil), foi recusado várias vezes antes de se tornar um clássico mundial e considerado “a bíblia hippie”.

Abarrotadas de longas orações super adjetivas, a publicação conta as experiências do autor e suas viagens pelas rodovias, pedindo carona e dormindo em albergues mal iluminados. Aqui vai um trecho do livro:

[…] A mais incrível carona de minha vida estava prestes a surgir; um caminhão que tinha uma plataforma de madeira atrás e cinco ou seis caras esparramados por cima; os motoristas, dois jovens agricultores loiros do Minnesota, estavam recolhendo toda e qualquer alma solitária que encontrassem por aquela estrada — formavam a mais simpática, sorridente e jovial dupla caipira que se pode imaginar, os dois de macacão, camiseta e nada mais, ambos ágeis e com pulsos grossos, e um amplo sorriso de “cuméquitá?” resplandecendo para todos os que cruzassem pelo caminho deles. Eu corri, perguntei: — Tem lugar pra mais um? — Eles disseram: — Claro, suba, tem lugar pra todo mundo. […]

A adaptação para filme teve seu lançamento em maio no Festival de Cannes e em julho aqui no Brasil. No elenco: Kirsten Dunst, Kristen Stewart, Sam Riley (como Sal Paradise) e Garrett Hedlund (como o amigo de sal, Dean Moriarty). Olha só o trailer:

Bom, se vocês acham que se deram bem com o tema, corram para as livrarias ou bibliotecas para ler o livro. E se aguentar ver o filme só depois, é sempre melhor. Só não posso garantir que depois aquela vontade de cair na estrada vá embora. Talvez ela até aumente. :)

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