Tag: comportamento - Melhor Ângulo

Pés na água

Eu sempre fui fascinado pelas estações do ano. Tenho uma lembrança em especial da minha infância, onde eu, pirralho, coloria um desenho (daqueles mimeografados) com uma mesma paisagem no outono, inverno, primavera e verão. Achava interessante, sabe? Como podiam ser tão diferentes? Mais tarde eu entenderia porque não nevava na minha cidade, ou porque as flores não desabrochavam da noite pro dia: alguém me explicou que no hemisfério sul as estações não eram tão divididinhas, que o verão e o inverno eram as que mais davam para sentir na pele.

A partir daí as duas começaram uma briga sem fim pela minha preferência. Ainda criança, preferia o verão porque era sinônimo de férias, achava mais divertido e tinha mais ânimo para inventar moda em casa: fazer picolé, tomar banho de mangueira, brincar até tarde na rua. Já maior, eu me vi uma dessas pessoas que dizem amar o inverno e são irredutíveis sobre isso. Era só chegar o fim do ano que o sentimento bom de festas entrava em conflito com o calor e me deixava mal humorado, implicante e reclamão.

vani verão (1) vani verão (2)
vani verão (3) vani verão (4)

Percebi também que era influenciado pelos clichês “no inverno as pessoas se vestem melhor” ou “no inverno dá pra ficar debaixo do cobertor vendo um filminho e comendo pipoca”, mas a verdade era que com meus 12 anos de idade minhas roupas ainda eram escolhidas pela minha mãe (pense num armário todo azul marinho) e eu raramente assistia filmes a não ser os da Sessão da Tarde.

Passei anos assim, dizendo a todos os cantos que o inverno sambava no verão, até que há alguns meses eu lembrei de todo esse meu histórico com as estações e decidi reparar melhor no que acontecia em cada uma delas. Descobri que assim como tudo na vida, o inverno tem seus contras e o verão por incrível que pareça tem seus prós, características essas que não vou citar aqui porque continuo achando que é uma questão de opinião, e de bagagem. Já parou por exemplo pra pensar que coisas incríveis (ou não) que te aconteceram em determinado mês podem ter te ajudado a construir essa preferência?

Em vez de reclamar no Twitter como fiz um dia desses, aprendi que dá para sobreviver ao verão com um conjunto de 5 coisas simples: um ventilador, bermudas, sucos de frutas (gelo extra), banhos frios e um bom óculos de sol. E digo mais: se eu sair por aí me sentindo bem comigo mesmo, não há suor que vai me vencer!

vani verão (1) vani verão (2)
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Parece uma explosão de otimismo, né? Chega a soar estranho e pode gerar até uma vergonha alheia em algum de vocês, mas acho que aquela fase adolescente de reclamar de tudo já passou pra mim. As responsabilidades na vida de um rapaz de 21 anos só vão crescendo, e com elas as coisas vão ficando mais sérias, difíceis e estressantes. Não dá pra se fechar num cômodo de negatividade num cenário assim, sabe? Aos 15 eu disse a mim mesmo que nunca mais seria o garoto influenciável e sem personalidade que eu era. Ainda hoje me restam alguns obstáculos para chegar ao 100% eu mesmo, e foi com um exemplo simples como o do verão que eu quis compartilhar duas das minhas conquistas mais recentes: descobrir que tudo bem mudar de ideia e que é possível ser mais positivo sobre a vida.

E você, o que pensa sobre o verão?

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Lorena Arance

Um dia desses eu twittei Quero ser como essa gente de filme que deixa uma mesa gigante de café da manhã de lado, pega uma maçã e sair comendo pro trabalho.”

Pois é, eu sempre admirei esse tipo de pessoa que leva, ou pelo menos aparenta levar uma vida casual e despreocupada (no bom sentido) em todas as áreas da vida, até mesmo em relação a alimentação: come quando tem fome, faz seus próprios lanches (e eles ficam ótimos), coloca determinada camisa porque ela é confortável e pode deitar no sofá ao som da chuva porque já se organizou e não vai ter problemas em terminar aquele trabalho.

Lorena Arance é uma amante da vida e da fotografia que me inspira desde quando eu conheci seu Flickr e seu trabalho. Ela nasceu em Palma de Maiorca, Espanha e hoje é uma mulher de 30 anos, formada em Imagem e Som e que se aventura em registrar o dia-a-dia com sua câmera analógica para depois compartilhar no blog pessoal.

Lorena Arance

Lorena Arance

Só pra você ter uma ideia, leia a opinião dela sobre fotografia e sobre como ela conversa com essa prática todos os dias:

“Você pode escolher o lugar que você quiser. Você ficaria surpreso com a beleza encontrada em um campo abandonado no meio da estrada ou no terraço de sua casa. Não importa. Basta colocar a sua espontaneidade, ser você mesmo. Seja você tímido, triste ou feliz . A beleza só pode ser encontrada na imperfeição.

Não importa o tempo. Eu não sou esse tipo de fotógrafo que coloca um ponto final a uma sessão. As regras limitam, apertam, tensionam. Eu quero conversar, você pode colocar uma música ou acender o incenso que você gosta. Relaxe. Passe um dia diferente…”

É como a Christine disse na página de perfil da Lorena no Flickr: ela faz com que o dia-a-dia pareça Monet, as fotografias são simples, mas de tirar o fôlego, poesia para os olhos e para a alma.

Dentre os temas cotidianos de suas fotos, o que eu mais gosto com certeza é o que trata de comida: os cafés da manhã, lanches, o tempo passado na cozinha… Olha as que eu separei:

Lorena Arance

Lorena Arance

Lorena Arance

Ficar olhando dá até um ânimo pra esse início de semana, né? O que acharam?

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homem câmera piquenique

Foto: Kate

Hoje um pouco menos de técnica e um pouco mais de papo. Antes de resolver ser fotógrafo ou fotógrafa, qualquer pessoa precisa primeiro ter aqueles conceitos, aquela base. E uma das principais coisas que você deve saber sobre fotografia é simples, vai te ajudar muito a entender as coisas e até a encontrar um estilo próprio: o olhar. Fotografia não é para os frios e calculistas, para fotografar é preciso um olhar a mais, um ideal, um pensamento positivo, uma visão própria de mundo. Você está registrando um momento!

Como registrar um casamento – um evento tão mágico – só pensando em técnicas, em posições? O fotógrafo reconhecido vai ser aquele que sim, se preocupa com a técnica, mas não a deixa ela ofuscar seu o olhar, o bom relacionamento que tem com seu cliente, a resposta para a pergunta “Como eu registraria um momento tão único?”. A técnica não pode fazer com que o momento passe despercebido, sem graça ou que seja um momento decepcionante.

Você vai a um lugar maravilhoso. Por que chegar, fotografar o lugar, e ir embora? Ande, dê uma volta primeiro, observe, então fotografe. Fotografar é registrar alguma coisa que você queira guardar na lembrança, mas para guardar é preciso primeiro vivê-la, atentar os olhos para ela. Não adianta parar e tentar tirar loucamente a foto de um beija-flor na correria; ele chega e vai embora em segundos, se você tem certeza que vai conseguir registrar perfeitamente o momento, aposte em si mesmo e acione seu equipamento. Senão, esqueça a câmera e apenas observe!

Com os olhos podemos poupar cliques inúteis e perceber cliques extraordinários. O objetivo é mostrar a beleza de um lugar? O objetivo é mostrar uma emoção? Um momento? Olhe com os olhos, analise com a cabeça e só então comece a pensar na parte técnica. Claudia Regina

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