24 • novembro • 2014

Jogo

Tudo começa com uma multidão e muitas conversas paralelas. O volume é alto, as roupas possuem texturas, cores e tamanhos diferentes. As pessoas também são altas, baixas, negras, brancas, e estão felizes, brigando, sorrindo ou constrangidas. “Olha essa camisa, que linda!” “O tempo está bom hoje, né?” De repente os mesmos rostos antes nítidos, agora se distorcem, quadriculados. As roupas perdem seus relevos, agora são lisas. Todas as cores se misturam a ponto de criarem uma média cinzenta, que continua se transformando. Aquele grande espaço multicolorido e arredondado diminui, se simplifica. Ouço apenas o som de uma voz. Duas, fazendo da minha uma parte da soma. Risadas e perfumes se misturam. Olho ao meu redor e vejo um infinito branco. No meio, eu e você.

Não posso evitar a surpresa ao me dar conta de que mesmo conhecendo meu mais profundo e íntimo eu, passo a ser não apenas querido, mas motivo de luta, um objetivo. Acredite, eu sempre estive do outro lado, e trocas de papéis podem ser inesperadas. E então mais segredos, mais conversas, mais declarações, mais saudade, mais amor. Os quilômetros não nos afastam, só nos aproximam. Como pode? Quando eu imaginaria encontrar alguém que me entenda dessa forma? E o sentimento de “pessoa certa” só aumenta.

As próximas cenas são dignas de bons primeiros 30 minutos de um filme romântico. Planos. Passaremos muitos aniversários, dias dos namorados e natais juntos, muitos natais juntos. Pressinto um grande acontecimento pelo silêncio que o precede. Assim foi quando começamos a namorar. Assim foi no primeiro “eu te amo”. “Como será nosso casamento?”, “Você é meu final feliz”, “Nunca te farei sofrer”. Promessas.

Aprendi que promessas não foram feitas para serem cumpridas, mas para criar esperança.

Mais um silêncio. Três semanas. O primeiro a dizer “eu te amo” é o primeiro a deixar de amar. Pela primeira vez o timing antes tão perfeito, agora falhou. Impossível não me sentir idiota por ter feito, dias antes, declarações como as do início de tudo. “Já não imagino minha vida sem você”. Não importa, agora não tenho escolha.

Coração acelerado, falta de concentração, dificuldade para respirar. Transpiração pelos olhos. Por favor, volte. Desidratação. Não sentir mais nada. Ligar o automático, andar pelas ruas como um zumbi. Dor que chega a ser física. Saber que você não está passando por nada disso. Saber que você não liga tanto assim. Seu melhor amigo? Será? Não tenho tanta certeza. Eu estava lá na hora certa, no momento certo, no período certo. Será que eu fui a pílula para uma doença que te tragava por anos? Bem, a cartela acabou. Parabéns, você está curado. Não há necessidade de uma nova receita, não é? O que eu signifiquei? Me demonstre, oras. Não deixe espaço para dúvidas se não quer que elas venham.

Aprendi que almas gêmeas podem existir. Talvez foi o nosso caso. Porém gêmeos não são necessariamente iguais, gêmeos têm a tendência de cruzarem caminhos diferentes. Mas foi verdade quando eu disse que nunca vou te esquecer. Se eu realmente quisesse, faria de tudo para que fosse agora. Será que tudo vai ficar bem? O que você quer de verdade? Vou ter capacidade para continuar na sua vida sem afetar minha sanidade? Gostaria de saber. Acho que só me resta esperar pelo previsível, o tempo. À esse eu peço que por favor, passe logo.

Feliz um ano do início.

Tenho 21 anos, sou de Cataguases (Minas) e trabalho como web designer, sempre mantendo e praticando minha paixão pela fotografia nas horas vagas.
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17 • setembro • 2014

Blog Melhor Ângulo

No último post de 2013 eu falei sobre como eu “prevejo” se os anos serão de transição ou ação, ou seja: se serão de adaptação e pequenas novidades ou se terão muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo e o tempo todo. 2014 definitivamente tem sido um ano de ação e só nos últimos meses eu: fui contratado em uma agência de design digital aqui em Juiz de Fora, comecei a ter aulas à noite na faculdade, fiz uma série de trabalhos como freelancer, cuidei sozinho de um apartamento e por tudo isso, pouco se ouviu do Zé neste blog.

Uma vez eu tweetei sobre como eu sempre quero fazer tudo e acabo não fazendo nada. Não é bem assim (no Twitter a gente tende a ser mais dramático), mas o fato é que o prazer que eu sinto escrevendo aqui foi sendo substituído pelas obrigações que eu precisava cumprir nas outras áreas da minha vida. É fato que a preguiça foi também de grande influência: depois de passar o dia em frente a uma tela e chegar em casa às 19h30, tudo que eu queria era tomar um banho e assistir a 3 episódios de alguma série, é pedir demais? Não me levem a mal: produzir conteúdo continua sendo uma paixão, mas às vezes não há prazer que vença o cansaço.

É por isso que eu decidi aproveitar esse momento mais e$tável e dar um tempo nos projetos como freela. Não nos atuais e em negociação, mas nos que poderiam vir nos próximos meses. Em outros tempos eu precisaria deixar o Melhor Ângulo de lado, porque querendo ou não, não é dele que eu tiro meu sustento. Então vocês devem imaginar minha felicidade ao poder focar minha atenção aqui, pra variar. Quero me testar, descobrir se com mais tempo eu consigo investir no MA com o afinco que ele merece. Faz meses que eu penso em organizar o conteúdo antigo do blog que ainda traz novos leitores, meses que eu tento finalizar as aplicações da identidade visual e não consigo, anos (sério) que eu planejo colocar um portfólio no ar. Essa pode ser a hora! Sem promessas, apenas tentando.

Talvez eu não apareça com novos posts todos os dias, mas podem ter certeza que estarei trabalhando em alguma coisa para o Melhor Ângulo a partir de agora. Quietinho, no meu canto. Mas podem deixar, quando tudo estiver pronto vocês saberão. :)

Tenho 21 anos, sou de Cataguases (Minas) e trabalho como web designer, sempre mantendo e praticando minha paixão pela fotografia nas horas vagas.
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17 • abril • 2014

Fazer sem prometer

Anteontem eu dormi duas horas durante a noite, tudo porque milhões de ideias e planos passavam pela minha cabeça quando eu deveria estar dormindo. Não se enganem, eram todas coisas boas, inclusive tive meu primeiro insight sobre meu futuro TCC. Mas enquanto já não aguentava mais meu cérebro trabalhando e implorava por uma folga, percebi que 95% do que eu tinha pensado ali eu já tinha pensado outras vezes, já tinha anotado, detalhado, criado um plano de ação até. O próprio ato de cair na real já tinha acontecido antes, e é basicamente o mesmo processo: eu tenho uma ideia, me aprofundo nela, anoto, talvez até crio um planejamento de como conseguir colocar aquilo em prática, mas nunca faço muita coisa sobre. Fica ali, no caderno fechado, até o dia em que eu lembrar daquilo, pensar novamente sobre e me tocar de que eu sempre repito esse mesmo ciclo. O post de hoje é pra compartilhar um pouco dessa frustração que me bateu forte aqui agora, em plena madrugada. Mas é só um pouco dela.

Decidi investir em um objetivo de cada vez, e dividi-lo em outras pequenas fases que vão me ajudar a chegar até o fim do projeto em si. Já perceberam o quanto é desanimador fazer uma tarefa (mesmo simples) quando se pensa nela como um todo? É isso que eu quero evitar, mas se vou conseguir ou não será algo para os bastidores, porque decidi também fazer tudo em segredo, não sair por aí prometendo pros outros coisas o que não diz respeito a eles, e sim a mim. Anunciar pros amigos que vou começar uma dieta, por exemplo. Isso só cria uma pressão desnecessária pra que você prove lá na frente que estava certo e que conseguiu. Pra quê? A falha não é um problema tão grande se só você tem conhecimento dela, porque só você entende exatamente porque ela aconteceu, certo? Nada melhor do que deixar que os outros se surpreendam sem você ter prometido nada. Fazer sem prometer.

Mas não se enganem, o foco aqui é satisfazer a si mesmo; no caso, a mim mesmo. Não é sobre ligar pro que os outros vão pensar, mas sobre evitar pressões desnecessárias que só vão acabar me desmotivando nos meus objetivos. Desafiar a mim mesmo, em vez de ser desafiado por todos à minha volta.

Quem acompanha o Melhor Ângulo e consequentemente um pedacinho da minha vida, aí vai o exercício: reparem. Reparem os posts no futuro e vejam as pequenas evoluções que eu fizer. Se eu comprar uma câmera nova, por exemplo, apenas pensem: “Será que ele está melhorando o equipamento fotográfico dele aos poucos?”. Eu não vou dizer se é essa é a finalidade, mas se for e eu conseguir, aí sim, aguardem o post de missão cumprida.

Pronto, desabafei. Agora me deixem ir dormir, amanhã vou pra Cataguases e ainda tenho que fazer as malas! Mas não vou prometer nada sobre fechá-las. ;)

Tenho 21 anos, sou de Cataguases (Minas) e trabalho como web designer, sempre mantendo e praticando minha paixão pela fotografia nas horas vagas.
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15 • janeiro • 2014

Pés na água

Eu sempre fui fascinado pelas estações do ano. Tenho uma lembrança em especial da minha infância, onde eu, pirralho, coloria um desenho (daqueles mimeografados) com uma mesma paisagem no outono, inverno, primavera e verão. Achava interessante, sabe? Como podiam ser tão diferentes? Mais tarde eu entenderia porque não nevava na minha cidade, ou porque as flores não desabrochavam da noite pro dia: alguém me explicou que no hemisfério sul as estações não eram tão divididinhas, que o verão e o inverno eram as que mais davam para sentir na pele.

A partir daí as duas começaram uma briga sem fim pela minha preferência. Ainda criança, preferia o verão porque era sinônimo de férias, achava mais divertido e tinha mais ânimo para inventar moda em casa: fazer picolé, tomar banho de mangueira, brincar até tarde na rua. Já maior, eu me vi uma dessas pessoas que dizem amar o inverno e são irredutíveis sobre isso. Era só chegar o fim do ano que o sentimento bom de festas entrava em conflito com o calor e me deixava mal humorado, implicante e reclamão.

vani verão (1) vani verão (2)
vani verão (3) vani verão (4)

Percebi também que era influenciado pelos clichês “no inverno as pessoas se vestem melhor” ou “no inverno dá pra ficar debaixo do cobertor vendo um filminho e comendo pipoca”, mas a verdade era que com meus 12 anos de idade minhas roupas ainda eram escolhidas pela minha mãe (pense num armário todo azul marinho) e eu raramente assistia filmes a não ser os da Sessão da Tarde.

Passei anos assim, dizendo a todos os cantos que o inverno sambava no verão, até que há alguns meses eu lembrei de todo esse meu histórico com as estações e decidi reparar melhor no que acontecia em cada uma delas. Descobri que assim como tudo na vida, o inverno tem seus contras e o verão por incrível que pareça tem seus prós, características essas que não vou citar aqui porque continuo achando que é uma questão de opinião, e de bagagem. Já parou por exemplo pra pensar que coisas incríveis (ou não) que te aconteceram em determinado mês podem ter te ajudado a construir essa preferência?

Em vez de reclamar no Twitter como fiz um dia desses, aprendi que dá para sobreviver ao verão com um conjunto de 5 coisas simples: um ventilador, bermudas, sucos de frutas (gelo extra), banhos frios e um bom óculos de sol. E digo mais: se eu sair por aí me sentindo bem comigo mesmo, não há suor que vai me vencer!

vani verão (1) vani verão (2)
vani verão (3) vani verão (4)

Parece uma explosão de otimismo, né? Chega a soar estranho e pode gerar até uma vergonha alheia em algum de vocês, mas acho que aquela fase adolescente de reclamar de tudo já passou pra mim. As responsabilidades na vida de um rapaz de 21 anos só vão crescendo, e com elas as coisas vão ficando mais sérias, difíceis e estressantes. Não dá pra se fechar num cômodo de negatividade num cenário assim, sabe? Aos 15 eu disse a mim mesmo que nunca mais seria o garoto influenciável e sem personalidade que eu era. Ainda hoje me restam alguns obstáculos para chegar ao 100% eu mesmo, e foi com um exemplo simples como o do verão que eu quis compartilhar duas das minhas conquistas mais recentes: descobrir que tudo bem mudar de ideia e que é possível ser mais positivo sobre a vida.

E você, o que pensa sobre o verão?

Tenho 21 anos, sou de Cataguases (Minas) e trabalho como web designer, sempre mantendo e praticando minha paixão pela fotografia nas horas vagas.
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