17 • abril • 2014

Fazer sem prometer

Anteontem eu dormi duas horas durante a noite, tudo porque milhões de ideias e planos passavam pela minha cabeça quando eu deveria estar dormindo. Não se enganem, eram todas coisas boas, inclusive tive meu primeiro insight sobre meu futuro TCC. Mas enquanto já não aguentava mais meu cérebro trabalhando e implorava por uma folga, percebi que 95% do que eu tinha pensado ali eu já tinha pensado outras vezes, já tinha anotado, detalhado, criado um plano de ação até. O próprio ato de cair na real já tinha acontecido antes, e é basicamente o mesmo processo: eu tenho uma ideia, me aprofundo nela, anoto, talvez até crio um planejamento de como conseguir colocar aquilo em prática, mas nunca faço muita coisa sobre. Fica ali, no caderno fechado, até o dia em que eu lembrar daquilo, pensar novamente sobre e me tocar de que eu sempre repito esse mesmo ciclo. O post de hoje é pra compartilhar um pouco dessa frustração que me bateu forte aqui agora, em plena madrugada. Mas é só um pouco dela.

Decidi investir em um objetivo de cada vez, e dividi-lo em outras pequenas fases que vão me ajudar a chegar até o fim do projeto em si. Já perceberam o quanto é desanimador fazer uma tarefa (mesmo simples) quando se pensa nela como um todo? É isso que eu quero evitar, mas se vou conseguir ou não será algo para os bastidores, porque decidi também fazer tudo em segredo, não sair por aí prometendo pros outros coisas o que não diz respeito a eles, e sim a mim. Anunciar pros amigos que vou começar uma dieta, por exemplo. Isso só cria uma pressão desnecessária pra que você prove lá na frente que estava certo e que conseguiu. Pra quê? A falha não é um problema tão grande se só você tem conhecimento dela, porque só você entende exatamente porque ela aconteceu, certo? Nada melhor do que deixar que os outros se surpreendam sem você ter prometido nada. Fazer sem prometer.

Mas não se enganem, o foco aqui é satisfazer a si mesmo; no caso, a mim mesmo. Não é sobre ligar pro que os outros vão pensar, mas sobre evitar pressões desnecessárias que só vão acabar me desmotivando nos meus objetivos. Desafiar a mim mesmo, em vez de ser desafiado por todos à minha volta.

Quem acompanha o Melhor Ângulo e consequentemente um pedacinho da minha vida, aí vai o exercício: reparem. Reparem os posts no futuro e vejam as pequenas evoluções que eu fizer. Se eu comprar uma câmera nova, por exemplo, apenas pensem: “Será que ele está melhorando o equipamento fotográfico dele aos poucos?”. Eu não vou dizer se é essa é a finalidade, mas se for e eu conseguir, aí sim, aguardem o post de missão cumprida.

Pronto, desabafei. Agora me deixem ir dormir, amanhã vou pra Cataguases e ainda tenho que fazer as malas! Mas não vou prometer nada sobre fechá-las. ;)

Tenho 21 anos, sou de Cataguases (Minas) e trabalho como web designer, sempre mantendo e praticando minha paixão pela fotografia nas horas vagas.
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15 • janeiro • 2014

Pés na água

Eu sempre fui fascinado pelas estações do ano. Tenho uma lembrança em especial da minha infância, onde eu, pirralho, coloria um desenho (daqueles mimeografados) com uma mesma paisagem no outono, inverno, primavera e verão. Achava interessante, sabe? Como podiam ser tão diferentes? Mais tarde eu entenderia porque não nevava na minha cidade, ou porque as flores não desabrochavam da noite pro dia: alguém me explicou que no hemisfério sul as estações não eram tão divididinhas, que o verão e o inverno eram as que mais davam para sentir na pele.

A partir daí as duas começaram uma briga sem fim pela minha preferência. Ainda criança, preferia o verão porque era sinônimo de férias, achava mais divertido e tinha mais ânimo para inventar moda em casa: fazer picolé, tomar banho de mangueira, brincar até tarde na rua. Já maior, eu me vi uma dessas pessoas que dizem amar o inverno e são irredutíveis sobre isso. Era só chegar o fim do ano que o sentimento bom de festas entrava em conflito com o calor e me deixava mal humorado, implicante e reclamão.

vani verão (1) vani verão (2)
vani verão (3) vani verão (4)

Percebi também que era influenciado pelos clichês “no inverno as pessoas se vestem melhor” ou “no inverno dá pra ficar debaixo do cobertor vendo um filminho e comendo pipoca”, mas a verdade era que com meus 12 anos de idade minhas roupas ainda eram escolhidas pela minha mãe (pense num armário todo azul marinho) e eu raramente assistia filmes a não ser os da Sessão da Tarde.

Passei anos assim, dizendo a todos os cantos que o inverno sambava no verão, até que há alguns meses eu lembrei de todo esse meu histórico com as estações e decidi reparar melhor no que acontecia em cada uma delas. Descobri que assim como tudo na vida, o inverno tem seus contras e o verão por incrível que pareça tem seus prós, características essas que não vou citar aqui porque continuo achando que é uma questão de opinião, e de bagagem. Já parou por exemplo pra pensar que coisas incríveis (ou não) que te aconteceram em determinado mês podem ter te ajudado a construir essa preferência?

Em vez de reclamar no Twitter como fiz um dia desses, aprendi que dá para sobreviver ao verão com um conjunto de 5 coisas simples: um ventilador, bermudas, sucos de frutas (gelo extra), banhos frios e um bom óculos de sol. E digo mais: se eu sair por aí me sentindo bem comigo mesmo, não há suor que vai me vencer!

vani verão (1) vani verão (2)
vani verão (3) vani verão (4)

Parece uma explosão de otimismo, né? Chega a soar estranho e pode gerar até uma vergonha alheia em algum de vocês, mas acho que aquela fase adolescente de reclamar de tudo já passou pra mim. As responsabilidades na vida de um rapaz de 21 anos só vão crescendo, e com elas as coisas vão ficando mais sérias, difíceis e estressantes. Não dá pra se fechar num cômodo de negatividade num cenário assim, sabe? Aos 15 eu disse a mim mesmo que nunca mais seria o garoto influenciável e sem personalidade que eu era. Ainda hoje me restam alguns obstáculos para chegar ao 100% eu mesmo, e foi com um exemplo simples como o do verão que eu quis compartilhar duas das minhas conquistas mais recentes: descobrir que tudo bem mudar de ideia e que é possível ser mais positivo sobre a vida.

E você, o que pensa sobre o verão?

Tenho 21 anos, sou de Cataguases (Minas) e trabalho como web designer, sempre mantendo e praticando minha paixão pela fotografia nas horas vagas.
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18 • julho • 2012

Eu, no meio da rua fotografando a Gabi também fotografando literalmente no meio da rua.

O excelente artigo a seguir foi escrito pelo Emerson Alecrim para o blog Info Wester e foi revisado para se adequar ao público do Melhor Ângulo. Confira o original aqui.

Se existe uma área que foi afetada drasticamente pela evolução da tecnologia foi a da fotografia. Em um passado não muito distante, comprávamos filmes de 12, 24 ou 36 poses para as nossas (muitas vezes quase descartáveis) câmeras analógicas. Hoje, fazemos trocentas  fotos digitais do mesmo evento e no mesmo dia, comportamento que evidenciou uma coisa curiosa: a vergonha que muitas pessoas sentem ao tirar fotos em público.

É claro que esta situação depende do contexto. Se você estiver em um ponto turístico ou em uma festa, por exemplo, tirar fotos é uma prática até esperada, todas as pessoas ali ficam à vontade quanto a isso, com uma ou outra exceção. Agora, se você estiver andando em uma rua movimentada, mas sem qualquer atração aparente, a vergonha de tirar fotos pode florescer sem dó.

Eu pensava que, por influência da minha timidez, sentir desconforto ao tirar fotos em público era exclusividade minha. Mas acabei descobrindo que isso é bastante comum, não só no que se refere a aparecer nas imagens, como também em relação a parar em lugares públicos e apontar a câmera em alguma direção. Isso é horrível, porque você pode perder a chance de conseguir uma foto excelente.

Fotógrafas modelas.

Para tentar compreender este comportamento, passei a prestar atenção em minha reação ao tirar fotos em público e também ao me deparar com alguém fazendo isso. Percebi que, por alguma razão, este ato atrai os olhares das pessoas próximas. Mas não se trata, necessariamente, de olhares de julgamento: normalmente, as pessoas se perguntam “Do que é que ele está tirando foto?” e, segundos depois, esquecem completamente o assunto.

Dependendo da ocasião, as pessoas ao redor olham para analisar a situação: ninguém gosta de estar na mira da câmera de um desconhecido, logo, instintivamente tentam identificar se aquele é um momento de ameaça. Se estiver tudo bem, a pessoa já terá esquecido o fotógrafo ao dobrar a esquina!

Com base nestas percepções, eu passei a tentar diminuir este incômodo. Eis algumas dicas que funcionam bem comigo e provavelmente vão bem para você:

  1. Se acostume: tirar fotos em público atrai olhares alheios mesmo, não adianta. Mas as pessoas logo esquecem, por isso, não se preocupe;
  2. Tome cuidado para não fazer com que as pessoas ao redor desconfiem de que elas são o alvo da foto;
  3. Também tome cuidado para não atrapalhar a circulação das pessoas, tirando fotos em escadas, por exemplo;
  4. Se você precisa tirar fotos focando em pessoas, peça permissão a elas. Pode até ser que alguém te peça a fotografia depois;
  5. O mesmo vale se você quiser tirar fotos de algum objeto ou acontecimento, como um carro incomum: peça permissão ao dono ou ao organizador;
  6. Se você estiver em uma estação do Metrô ou em um parque, por exemplo, e perceber que seguranças estão observando atentamente a sua ação, pode ser uma boa ideia perguntar a eles se há algum problema em tirar fotos ali;
  7. Chamar um amigo para te ajudar com as fotos também é um jeito de diminuir o desconforto;
  8. Se o que você tem é medo de roubarem a sua câmera, contar com o reforço de amigos é uma excelente ideia, assim como tirar fotos em lugares mais movimentos, se possível.

Se você não tem problema nenhum em tirar fotos em público, meus parabéns! Se tem, espero que estas dicas possam mesmo te ajudar. Agora me conta nos comentários a sua situação, se já superou e quais são suas dificuldades.

P.S.: Repararam nos efeitos analógicos nas fotos? Eu aqui arriscando no Photoshop, qualquer hora eu mostro pra vocês.

Tenho 21 anos, sou de Cataguases (Minas) e trabalho como web designer, sempre mantendo e praticando minha paixão pela fotografia nas horas vagas.
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24 • março • 2012

Você já viu algum vídeo de vlog ou meme compartilhado no Facebook de gente reclamando que hoje em dia todo mundo quer ser e se diz fotógrafo? Acha um absurdo? Saiba que eu nem tanto. As coisas não precisam ser sempre combatidas com xingamentos ou reclamações via redes sociais contra essas pessoas, porque basicamente isso só as incentiva a fazerem as revoltadas e não mudarem mesmo, algo mais ou menos “3 bilhões de pessoas no mundo e ninguém pediu sua opinião”, sabe?

Você gosta de fotografia? Adora os posts da categoria aqui no blog e em outros favoritos? Mas é isso mesmo que você quer como profissão? Já te disseram que você tem jeito pra coisa ou facilidade para aprender a fotografar cada vez melhor?

Se você respondeu todas essas perguntas com um “sim”, ótimo, você está no caminho certo. Se alguma (principalmente as duas últimas) levaram um “não” ou “não sei”, é hora de parar, sentar e analisar de fato se o mundo à sua volta não está te fazendo querer ser fotógrafo apenas por parecer a profissão dos sonhos: divertida, interessante e sem muitos compromissos, o que pode acabar caindo por terra quando se encontra com a instabilidade, exigências do mercado, etc.

Afinal, você gosta de fotografias ou fotografia? Não parece, mas é extremamente diferente. Blogs, sites, livros e revistas que dão dicas para fotografar melhor estão apenas dando dicas de como fotografar melhor e não “como ser um fotógrafo incrível”. Nenhum desses meios está tentando formar fotógrafos, a maioria (principalmente blogs para adolescentes e jovens como o Melhor Ângulo) quer te ajudar a registrar melhor os momentos da sua vida!

Já vi reclamações de profissionais que dizem que a invenção das câmeras digitais compactas e do fácil compartilhamento destruiu a definição do fotógrafo e banalizou a profissão, e eu concordo em partes, mas acho que isso pode ser reverter se as coisas fossem mais claras. Quer um exemplo mais do que próximo? Eu, José Luiz Zorzan Júnior que vos fala, não quero ser fotógrafo profissional, pelo menos não é meu objetivo agora. “MEU DEUS, O ZÉ NÃO QUER SER FOTÓGRAFO!” Eu estudo fotografia, tenho um blog que fala principalmente disso e fotografo sim, mas isso não quer dizer que eu sou ou pretendo viver disso. E sério, levou um tempo para eu me entender; sim, já passei por essa de me achar fotógrafo quando tinha uns 16 anos.

Enfim, meus caros amigos. O post de hoje não está sendo uma indireta pra você, seu primo, sua mãe ou seu cachorro, afinal não leio a bio de cada um no Twitter pra saber se alguém aqui se intitula fotógrafo em vão, só é um desabafo menos agressivo do que os que eu vejo por aí sobre o assunto e queria saber agora a opinião de vocês. Você já passou por essa fase? Acha que essa manifestação toda é balela? Me conta nos comentários.

Tenho 21 anos, sou de Cataguases (Minas) e trabalho como web designer, sempre mantendo e praticando minha paixão pela fotografia nas horas vagas.
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