Melhor Ângulo recomenda: Curtindo a Vida Adoidado

Curtindo a Vida Adoidado é, definitivamente, a representação máxima dos clássicos da Sessão da Tarde. Destacando-se na era moderna de Esqueceram de Mim e Os Goonies, o filme de John Hughes traz uma exploração superficial da adolescência dos anos 80. Mas fique tranquilo, não há nada daquela história de drogas, álcool e festas no Ensino Médio. Ainda que até certo ponto seja politicamente incorreto, na verdade ele encara a adolescência do ponto de vista que a maior parte dos jovens a faz, e exponho isso com uma fala do próprio filme: “A vida passa rápido demais, se você não parar e olhar para ela de vez em quando, pode acabar perdendo”.

O longa acompanha um dia de Ferris Bueller (Matthew Broderick), que tem um grande carinho pela vida e quer aproveitá-la ao máximo. Entretanto, sua noção de aproveitar a vida é: nada de escola (“O dia está lindo demais para passá-lo na escola”). Por isso, ele engana seus pais fazendo toda a cidade acreditar que ele estava gravemente doente, e durante o dia, sai para se divertir pela cidade com sua namorada Sloane (Mia Sara) e seu melhor amigo – com tendências depressivas – Cameron (Alan Ruck). Enquanto isso, o diretor de sua escola (Jeffrey Jones) tenta mostrar para o mundo a deficiência moral do protagonista.

Hughes retrata essa história com um roteiro extremamente simples, sem muitas reviravoltas e complicações reais, fazendo com que a história do dia de (e aqui me sinto livre para acreditar que tenho intimidade com o personagem) Ferris pareça desinteressante pela falta de ambição e honestidade com a sociedade; entretanto, ele funciona satisfatoriamente bem dentro de seus 100 minutos. Apesar de Ferris ser o “popular” da escola, o filme abandona estereótipos (apesar de citá-los como se estivessem presentes, o que é mais interessante ainda), e cria um universo colegial um tanto caricato para o “vilão” (que não pode, e não deve, em momento algum, ser levado a sério, como Hughes faz questão de deixar claro), favorecendo momentos divertidos pela abordagem, mesmo que ela nem sempre funcione.

Curtindo a Vida Adoidado ainda adota um recurso interessante (como o criado por Woody Allen em Noivo Neurótico, Noiva Nervosa): permitir que Ferris converse com o público, o que, além de divertido, amplia o relacionamento que temos com um dos personagens mais icônicos do cinema família (ops, Sessão da Tarde). Através desses diálogos e de suas encaradas para a câmera em diversas situações, conhecemos sua natureza, que nem sempre é lógica, racional e moralista, mas extremamente carismática, ainda que o filme não o explore muito profundamente (como eu disse lá no inicio, o roteiro é um tanto superficial). Sabemos então que para ele, “curtir a vida” é aproveitar coisas pequenas: correr de carro pela rodovia, enganar professores, cantar “Twist and Shout” no meio de uma multidão, visitar museus, observar a cidade do alto, nadar na piscina, e, basicamente, celebrar a vida com os amigos. Realmente parece chato e entediante, mas ver a satisfação dos personagens ao encarar essas pequenas coisas, e se divertindo até nas piores situações, é gratificante. Ainda é curioso que o filme passe voando (100 minutos só passaram tão rápido assim quando cheguei em casa tarde e fui direto para a cama), graças a edição, fazendo jus à ideia que o filme afirma: que a vida passa rápido demais.

Talvez o filme de Hughes não seja grande coisa no conceito cinematográfico. Além das questões citadas, o diretor e roteirista ainda permite que as ações do diretor Ed nunca interfiram de verdade nos planos de Ferris, o que é um problema, e a história ainda tem algumas resoluções mal estabelecidas (e algumas outras reclamações e elogios). Mas obviamente não é pelas falhas que o filme se tornou um clássico, mas por sua ingenuidade e pelo sentimento de renovação diária que a história tende a fornecer ao público, independente da idade.

O filme é de 1986 e seu título original é Ferris Bueller’s Day OffVocês podem encontrá-lo no Netflix.

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  1. Suane
    09 de novembro de 2012 às 20:52

    Nossa,como eu gostaria de ter nascido nessa época!! Adoro o estilo de vida dos anos 80:os jogos,a moda(a depender) e os seriados mais legais que passavam nessa época.


  2. Lunara
    10 de novembro de 2012 às 00:00

    Muito bem escrito… Único filme que passava na sessão da tarde que eu fazia questão de matar aula para assistir!


  3. Laura
    11 de novembro de 2012 às 14:23

    quando pegar comentários feitos por outros sites dê os devidos créditos ;)


    • Nivaldo
      12 de novembro de 2012 às 18:39

      Olá Laura. Acredito que ocorreu um mal entendido, se houve alguma coincidência não foi intencional.


  4. Nathalia
    24 de novembro de 2012 às 02:20

    Ter vivido a adolescencia nessa época deve ter sido incrível! Adoro ferris bueller’s day off, um dos melhores filmes pra mim, assim como todos filmes adolescentes da década de 80 têm seu charme, mas esse tem um lugar especial <3