Em cartaz: Jogos Vorazes

Não é muito difícil perceber que nos últimos anos o cinema vem tendo poucas heroínas realmente marcantes. Sempre há uma ou outra tentativa de introduzir uma nova Lara Croft, mas poucas funcionam bem. Em março desse ano foi a vez do filme Jogos Vorazes (The Hunger Games). Jennifer Lawrence (Inverno da Alma, X-Men: Primeira Classe) trouxe com excelência e muito carisma a sua Katniss, em torno de uma história bem contada, que não pega leve na emoção e nos momentos intensos.

Baseado na história dos livros de Suzanne Collins, Jogos Vorazes acompanha a miserável Katniss quando ela se vê obrigada a participar de jogos produzidos pela Capital para proteger sua irmã mais nova. E o que diferencia os Jogos Vorazes das Olimpíadas que temos hoje? Os 24 participantes devem lutar até a morte até que reste apenas um. E por aí vai…Mas fique sabendo que ideia principal do filme é mostrar a distopia criada pela sede de poder do governo, e isso o filme faz com bastante eficiência.

A experiência do diretor Gary Ross fez com que a qualidade desejada para o filme fosse sempre muito bem aplicada. Desde a direção de arte que passa do colorido a cores mais simples, a trilha sonora calorosa, a fotografia trêmula, a montagem que intercala entre o lento e o veloz e outras infinidades de atributos! Mas o mais interessante é a essência da história que capricha em momentos originais e extrai dos atores grandes atuações, tudo para mostrar a brutalidade de uma sociedade não muito distante da nossa sociedade global, com enfase na americana, onde o patriotismo é como lei.

Jogos Vorazes é bem creditado em quase todos os seus elementos componentes. O design do filme todo trabalhado na tecnologia da capital em contraste com a pobreza do Distrito 12 – que chega a ser meio bizarro nas roupas e maquiagens, mas que funcionam muito bem ao intensificar a ideia de que são pessoas sem credibilidade e dignas de pena por aplaudirem espetáculos do tipo. A trilha sonora muito bem encrementada e que traz um “quê” mitológico, que é ideal para certos momentos, como quando Katniss caça e a música meio fabulesca nos faz lembrar das canções dos elfos – seres conhecidos por seus dons com o arco e flecha e caça.Em contrapartida também há alguns efeitos mal acabados e bastante fajutos, mas que dá para deixar passar.

Mas, ainda falando das questões técnicas, as características que realmente chamaram a minha atenção foram a montagem e a fotografia intensas. A paciência do diretor Gary Ross para os acontecimentos do filme deixam cada momento mais emocionante e marcante graças a edição; ou vai dizer que o momento inicial dos jogos não é de causar infartos? Essa cena, quando os jogos começam, é dignissima também pelo corte do som que deixa o momento mais caótico e chocante.E ainda a maior parte dos momentos de ação são realçados pela câmera extremamente trêmula que intensifica cada segundo – e serve como desculpa pra não mostrar a brutalidade das cenas, já que é um tanto dificil compreender o que está acontecendo.

E se o trabalho desses profissionais que ficam atrás das câmeras merecem créditos, o elenco também não passa batido. Josh Hutcherson (Peeta) e Liam Hemsworth (Gale)  fazem muito bem o seu trabalho; enquanto um precisa expor as emoções, o outro precisa reprimir, e isso fica bastante claro. Mas o que importa mesmo aqui é a maravilhosa e carismática Jennifer Lawrence. Se até hoje Hollywood estava procurando a sua grande heroína, dessa vez encontrou em Katniss. Jennifer demonstra cada sentimento da personagem com extrema intensidade, usando desde olhares tremulos até alterações na gravidade da voz, e faz com que cada cena em que aparece seja memorável. E ainda a própria Jennifer e o diretor acertam em cheio ao fazer ela passar longe de um símbolo sexual, com seu cabelo desarrumado de aparência natural ou com seu estilo levemente masculinizado. Mas enfim, de forma geral, o elenco todo faz trabalhos satisfatórios (Lenny Kravtiz, você não conta).

No mais, as escolhas do diretor e roteirista são ótimas – desconsiderando a preguiçosa tentativa de explicar as coisas através de um programa de TV – e fazem com que a ideologia dos textos de Suzanne Collins permaneçam (mesmo que as ideias dela não sejam as melhores). Pela minha pouca experiência de “Gary Ross” já deu pra saber que o diretor sabe conquistar o publico e consegue atingi-lo da melhor maneira.  E se teve uma coisa que aprendi na faculdade é que muitas vezes há a necessidade de deixarmos o que é estético de lado e colocarmos a funcionalidade em primeiro plano, e isso é aparente em Jogos Vorazes e faz o filme funcionar sempre melhor.

É, então, pela quantidade de vezes que repeti a palavra “intenso” e suas variações nesse texto que o finalizo com uma frase digna de capa de DVD: CA$#@$O, que filme #@!$.
Jogos Vorazes estreou no dia 25 de março e ainda está em exibição. Vocês encontram mais sobre o filme no site oficial ou na página do IMDb.

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  1. Kelly Barros
    03 de abril de 2012 às 00:46

    UaU! Pareca até que eu estava lendo uma crítica de jornal. Achei muito bem escrito, parabéns! Eu vi o filme, mas não gostei tanto assim. A Katniss realmente é uma heroína e tanto, o cinema precisava disso, ela faz o Peeta parecer uma marica hahaha brincadeira.


  2. Felipe Souza
    03 de abril de 2012 às 08:52

    Estou muito ansioso para assistir! O filme me parece bem dirigido pelo Ross, e acho que traz uma caracteristica de filmes de aventura que há muito tempo não assistimos. Espero me surpreender com ele!


    • Nivaldo
      03 de abril de 2012 às 16:57

      Concordo. É ação com um recheio dramático descente, algo que estava em falta DSAUDHASU


  3. Renata
    03 de abril de 2012 às 14:26

    Estou doida para ver esse filme, já vi o trailer várias vezes e parece ser incrível.


  4. Bel
    03 de abril de 2012 às 16:25

    A resenha mais bem feita que eu já li sobre algum filme e livro. Como o adjetivo que tanto você usou em seu texto, foi realmente o que eu achei de sua escrita – intenso.
    Parabéns mesmo, gostei muito.


  5. Nivaldo
    03 de abril de 2012 às 16:58

    Obrigado pelos elogios, pessoal!


  6. Caroline Akemi
    04 de abril de 2012 às 01:26

    Ótimo filme, recomendo assistir e ler os livros da continuação.
    Adorei a escolha das fotos e o gif final. ;)
    Beijos


  7. Renê Carvalho
    04 de abril de 2012 às 10:28

    Tô Louco Pra assistir.. e Realmente, Muito bem Escrito..!


  8. Iris Amorim
    04 de abril de 2012 às 14:18

    Apesar de faltar muitos detalhes importantes do livro no filme, eu gostei bastante. E ótima resenha ;)


  9. Matheus Eduardo
    04 de abril de 2012 às 23:07

    Eu vi o filme e gostei muito, o trailer não conta 1/3 do que acontece, a história é recheada de cenas de ação e aventura que deixam a gente super preso ao filme, apesar de contar uma realidade triste e violenta o filme não é pesado, o diretor teve cuidado para ele não ter o mesmo objetivo que os jogos vorazes (entreter com violência), em cada morte aparece o necessário. Recomendo a todos que assistam, já virei fã da trilogia.


    • Nivaldo
      05 de abril de 2012 às 00:21

      Realmente, a produção do filme merece muuuitos pontos por ter sido super discreta nos trailers e na promoção. Vimos muuuuuuuuuito pouco dos Jogos antes de assistirmos ao filme e isso foi ótimo! Deixou cada momento de ação melhor.


  10. Marcelly
    12 de abril de 2012 às 09:42

    Não preciso comentar..
    devorei os três livros da saga semana passada e quase chorei de emoção por ver que o filme ta “igual” o livro…como fã de Harry Potter posso dizer que sei da decepção de ver um livro mal adaptado pras telonas, mas Hunger Games é espetacular e mesmo já tendo assistido ao filme li o primeiro livro em tempo recorde..se vocês gostaram do filme vão delirar com o livro..

    super indico..leiamm

    e se o primeiro deixou a desejar nos efeitos , depois desse sucesso de bilheteria o segundo vai ser um Senhor dos aneis em efeitos..
    eu espero..


  11. Marcelly
    12 de abril de 2012 às 09:45

    nossa eu não tinha visto o gif..

    perfeitoO


  12. Luks Vieira
    01 de maio de 2012 às 18:23

    Não li a obra, mas só o filme já valeu muito… Espero poder lê-lo ainda.
    Att.,
    Luks