A curiosidade estética e conceitual de Yoann Lemoine

Yoann Lemoine é um francês muito interessante e intrigante. Todos nós temos capacidades múltiplas, mas Lemoine se destaca por ser cantor, compositor, pintor, fotógrafo e diretor; basicamente, por sua capacidade artística. O francês, curioso como cineasta, tem seus trabalhos marcados pela contemporaneidade e pelo fundo reflexivo.

Yoann inicialmente já merece créditos por suas influencias: segundo suas próprias palavras, seu trabalho é inspirado em Terrence Malick, Gus Van Sant e Was Anderson, além de outros grandes nomes do cinema independente. Como diretor, é interessante que seus trabalhos o definam claramente como a pessoa curiosa que é, tentando sempre aproveitar as possibilidades cinematográficas pra unificar suas próprias capacidades. Prova disso é o seu olhar e sua sensibilidade para a fotografia em seus videoclipes e comerciais, que são sempre filmados com muita beleza e naturalidade, e que aproveitam a luz como elemento simbólico e funcional. Ou até a composição da arte dos vídeoclipes de Lana Del Rey, como em Born to Die, onde ele utiliza um cenário histórico de estilo para trazer simbolismos (assim como os tigres e a coroa de flores).

Dica: assistam aos vídeos em alta definição!

Sua sensibilidade estética se comprovou novamente com Lana no clipe Blue Jeans. Mais uma vez o drama está bem estabelecido e a reflexão é relativa. Entretanto, dessa vez ele capricha no slow motion de uma forma extremamente bem definida, que toma quase 95% de todo o vídeo. E novamente, a iconografia através dos crocodilos na piscina.

Enquanto isso, no vídeo para a marca de perfumes Lolita Lempicka, Lemoine adotou um conceito ainda mais exótico (até mesmo pelo aspecto da tela), conspiratório e podemos até dizer que visceral, pela forma como faz um tratamento profundo em sua personagem para trazer uma exploração da infância (que até chega a ser provocativo, em certos momentos). E nota-se que Elle Fanning foi uma excelente escolha, já que seu tom de pele, seus cabelos e olhos claros funcionam perfeitamente com as ideias do diretor. E mais uma vez a fotografia e a sua visão em geral traduzem seu grande valor como artista: garanto que quem o assistir ficará encantado pela sua concepção visual.

E agora entram os meus trabalhos preferidos do diretor: os videoclipes de seus projetos musicais. Com suas próprias músicas, Lemoine aproveita claramente o fato de ter poucas limitações criativas; se o vídeo de Lolita Lempicka foi visceral, então os de Woodkid (sua banda) são grotescos, ao mesmo tempo em que são puros e nitidamente estéticos. E, novamente, o ideal conspiratório é claro, mesmo que o conceito por trás dele não seja tão óbvio.

Basicamente, Lemoine adota como diretor um complexo de estética impecável, e atribui para a fotografia a característica mais marcante de seus trabalhos, sejam eles incrivelmente filmados em preto e branco, ou com luz suficiente para trazer transparência visual. Me inquieta apenas que o diretor se preocupe tanto com o contexto visual que acabe esquecendo o conceito ideológico de seus projetos. Mas o cara é profissional e não acredito realmente que isso será um problema!

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  1. Leandro
    22 de novembro de 2012 às 20:29

    Woodkid <3 Conheci ele a um tempinho em um site chamado Oh My Rock, gosto muito da música Run Boy Run.


  2. Rafael
    22 de novembro de 2012 às 22:13

    Eu amei o post! Muuuuito legal!
    Adoro esse lance de arte em videoclipes, a direção de arte, a fotografia.
    Muito interessante e bela escolha. Parabéns!


  3. Sérgio
    18 de janeiro de 2016 às 10:59

    Fui ao show dele e realmente é deslumbrante.. Depois de ver a Ellen Fanning próxima dele tive curiosidade de ver o q ele tava aprontando e achei esse texto muito bom. obrigado